11 de março de 2013

Empresas de Surubim são destaque na folha de Pernambuco



Divulgação - Nicolas Gondim/Noemy/Divulgação
Estilistas e consultores agregam informação à Adri-Ka - A marca de Poção vem atualizando seus looks
CARUARU (PE) - Não é de hoje que a China vem ganhando espaço no mercado brasileiro, e um dos segmentos que mais sofrem com essa “invasão” é a moda. É que a indústria de olhinhos puxados mantém firme e forte a cultura de copiar ou clonar peças que estão no topo das tendências fashion. Para piorar, a produção é feita em larga escala e a preços muito aquém dos encontrados no mercado local. Para driblar essa concorrência (desleal), o Polo de Confecções de Pernambuco, que envolve pelo menos 20 mil empresas de 13 cidades do Interior do Estado, busca qualificar e valorizar sua mão de obra, investir em design e pesquisas, na compra de equipamentos Hi-tech e vem profissionalizando também a forma de divulgar o produto. A mudança de comportamento já transforma o cenário desse mercado. 
Uma das ações mais significativas neste sentido é a Rodada de Negócios da Moda Pernambucana, que realizou, semana passada, sua 16ª edição em Caruaru.

A renascença da marca feminina Noemy alcançou novos mercados depois de um processo de renovação da marca, trabalho que vem sendo acompanhado pelo Sebrae e o Senai nos últimos dois anos. “Éramos praticamente isolados em nossa cidade (Poção), mas depois de participarmos de rodadas e eventos do setor, passamos a conhecer outros modelos de negócios, o que foi crucial para o crescimento da empresa”, destaca a empreendedora Noemy Rutty, que passou a investir em design, modelagem padrão, maquinário de alta tecnologia e engenharia de produção. Com isso, o quadro de funcionário passou de 80 para 140 contratados e tanto a produção quanto a estrutura do negócio aumentaram em 100%.

De Surubim, a Adri-K, do segmento feminino, teve de visitar outros polos têxteis do Brasil para enxergar a necessidade de renovação. “A qualidade do produto passou a a ser nossa prioridade e estamos alcançando isso com a ajuda de estilistas e consultores”, destacou o empresário Edisaldo Guerra, que deixou o setor de modinha para se dedicar ao de estilo. Especializada em moda praia, a Iska Viva procurou utilizar tecidos tecnológicos, que deixam as peças mais confortáveis e com secagem rápida, após o banho de mar ou piscina. Com isso, a empresa chegou ao mercado internacional. “Criamos constantemente novos produtos e isso tem agregado valor às peças”, disse o gerente Fábio Silva. O vestuário infantil também ganha espaço: a Berna Baby, de Surubim, preza pelo acabamento das peças. “Vimos aqui um filão de mercado e já concorremos com marcas do Sul e Sudeste do País”, destaca Almemi Gomes.

Gestor de projetos de confecção do Sebrae, Mário César Freitas conta que, nos últimos cinco anos, o Polo do Agreste investiu alto em criação e visual merchandising. “No Sebrae, incentivamos, além disso, o investimento em criação e produção, gestão e vendas, além da participação em rodadas, visitas técnicas e missões empresariais”.

Para o designer de moda Luiz Clério, consultor e instrutor da unidade do Senac Caruaru, as marcas estão se profissionalizando cada vez mais, e esse é um caminho sem volta. “O mercado regional, nacional e mundial está exigente porque o consumidor está mais seletivo, criterioso e informado. A concorrência, portanto, não está apenas nos preços do produto, mas na qualidade, no direcionamento dado ao segmento, na comunicação, no visual merchandising. Com isso, a indústria local está entendendo que o consumo acontece de forma mais complexa, pois exige investimento na profissionalização”, avalia Luiz Clério. “Podemos concluir que não há mais espaço para amadorismo e o hábito da cópia tem seus dias contados.”

Jeans
Embora tenha ganhado espaço em diversos segmentos, a moda produzida no Polo de Confecções do Agreste tem o jeans como prata da casa. As proporções mostram o porquê: estima-se que 16% de todo o jeans produzido em território nacional saia de indústrias dessa região. Por mês, são confeccionadas cerca de 75 milhões de peças - 900 milhões por ano. E não duvide, aquela calça de grife que veste super bem e da qual você se gaba tem grandes chances de saído do interior pernambucano, sim. Um sinal positivo da qualidade do produto e da mão de obra local.
Berna baby

Lojas famosas de departamento, como Marisa e C&A, também têm contratos pela região, segundo Edilson Tavares, que além de gerir uma das melhores lavanderias do Brasil, a Mamute, é também presidente do Núcleo Gestor da Cadeia Têxtil e de Confecções (NTCPE). “A qualidade dos produtos do Polo é necessária para atender à demanda de qualquer cliente.  Há muitas empresas que têm plena capacidade de produzir linha premium, com design e sistema eletrônico de alta tecnologia para modelagem e corte, o que permite um acabamento perfeito para atender à demanda de qualquer que seja cliente, independentemente do mercado”, garante Tavares. 

Escrito por: MYLLENA VALENÇA - Folha de Pernambuco



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