16 de abril de 2013

Surubinense com suspeita de doença de chagas é destaque na Folha de Pernambuco

MARIA do Carmo Gomes (D) procurou a unidade hospitalar, pois sente dores no peito
Uma doença que consta no rol das negligenciadas e que atinge, na maioria dos casos, a população de baixa renda, que mora da Zona Rural. No próximo domingo, é lembrado o Dia Mundial de Combate à Doença de Chagas, data em que Carlos Chagas anunciou a descoberta da enfermidade, em 1909. Em Pernambuco, o Pronto-Socorro Cardiológico Universitário de Pernambuco (Procape), da Universidade de Pernambuco (UPE), é o responsável pelo diagnóstico e tratamento da doença e realizou, na manhã de ontem, um evento com os pacientes, na sede da Associação dos Portadores da Doença de Chagas e Insuficiência Cardíaca.

Conforme o cardiologista e professor da UPE, Wilson Oliveira, a enfermidade é a terceira maior causadora de transplantes cardíacos no Brasil e é transmitida por um mosquito chamado, popularmente, de barbeiro, o qual se aloja nas frestas das casas de taipa, por exemplo, e pica as pessoas enquanto dormem. Além disso, também pode adquirir a doença de chagas por via oral, na ingestão de alimentos contaminados, durante o parto, se a mãe tiver sorologia positiva e de transfusões de sangue. Este último praticamente não acontece mais, tendo em vista a triagem, que antecede a doação sanguínea.

A dona de casa Maria do Carmo Gomes, 62, esteve na manhã de ontem, no Procape, pois está com suspeita de doença de chagas. Ela afirma que sente fortes dores no peito, sua mãe é portadora e seu marido morreu em decorrência da enfermidade. “Sou de Surubim e morava em uma casa muito simples, sem piso. Já faz uns quatro meses que tenho esses sintomas, por isso vim aqui”, declarou.

“A enfermidade é responsável pela dilatação do coração, esôfago e intestino. Porém, as pessoas que têm sorologia positiva não necessariamente vão desenvolver esses sintomas. Se descoberta ainda na fase inicial, ou seja, aguda, existe a possibilidade de cura. Mas se já estiver na crônica, também existe tratamento”, explicou o médico. Ainda de acordo com ele, a maior dificuldade que os pacientes encontram é a manutenção do tratamento, quando na fase crônica, pois ele é feito através de diversos remédios. “A doença foi controlada, mas não erradicada. Na fase aguda, o paciente pode apresentar febre e comprometimentos neurológicos. Já na fase crônica, muito cansaço, falta de ar e dores no peito”, comentou Wilson. 


Folha de Pernambuco

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