17 de setembro de 2013

“Pre-pa-pra que a-go-ra é a ho-ra do show da po-de-ro-sa…” Ou: Solta o som que é pra ver Dilma dan-çan-do…

A presidente Dilma Rousseff cancelou a visita oficial que faria no fim de outubro aos EUA. Depois do barulho — ridículo em si, mas cheio de cálculo eleitoral — que o Planalto fez em razão das “reportagens” de Glenn Greenwald, não restava alternativa. O governo condicionou a visita a um pedido de desculpas da Casa Branca — ou qualquer coisa que soasse dessa maneira para o público interno. O pedido, obviamente, não veio, e aí foi preciso tomar a decisão mais tola para ser coerente. Depois do escarcéu e de a governanta ter exigido que os americanos explicassem “everything”, fez-se necessário manter a pose. Convenham: tudo caminhava para o “show da poderosa”, não é mesmo? Só restou à nossa “Anitta” do funk petista cantar para Barack Obama: 
“Meu exército é pesado e a gente tem poder/
Ameaça coisas do tipo: Você!”
Vocês conhecem aquele poeminha de Ascenso Ferreira, chamado “Gaúcho”? Reproduzo:
Riscando os cavalos!
Tinindo as esporas!
Través das cochilhas!
Sai de meus pagos em louca arrancada!
— Para que?
— Pra nada!
É isto. Dilma fez o que fez pra quê? Pra nada! É só mais uma manifestação tolinha de afirmação da soberania nacional e de aplicação prática do “Princípio Chico Buarque de Política Externa”. Os historiadores brasileiros não devem desprezar a importância que têm os cantores da MPB na formação da mentalidade brasileira. Foi ele quem disse, num evento em favor da então candidata Dilma, em 2010, que o governo petista não era do tipo que “falava fino com Washington e grosso com a Bolívia”. Não mesmo! Agora a gente evoluiu: fala grosso com Washington e fino com a Bolívia — e com todas as ditaduras do planeta, desde que elas exercitem um discurso antiamericano.
Não sei o que Dilma iria fazer em Washington. Muito provavelmente, nada. Vista a questão por esse ângulo, convenham, o Brasil economiza alguns trocados. O nosso Dario de tailleur — o mais, digamos, emblemático é aquele vermelho… — não precisa mobilizar a corte de eunucos do império persa e sair torrando dólares por aí. Mas que é ridículo, ah, isso é!
Nas mãos de Snowden e Greenwald
As relações do Brasil com os EUA estão hoje nas mãos de um vagabundo chamado Edward Snowden e de Glenn Greenwald, seu porta-voz, que escolheu o Brasil para morar. O primeiro é um ex-agente da CIA que roubou — o verbo é esse — documentos secretos do governo americano e escolheu como refúgio a Rússia de Vladimir Putin, um iluminista que era, Santo Deus!, agente da KGB. O outro, Greenwald, é um advogado convertido em jornalista, que, segundo a versão oficial, decidiu morar no Brasil em razão das tramas do coração. Encontrou aqui o seu Orfeu — o que leva parte da nossa imprensa a evocações as mais líricas.
Greenwald, sem prova nenhuma de que houve invasão a dados da comunicação privada da presidente ou a segredos industriais da Petrobras (ou me digam onde estão as evidências), pode elaborar as teorias conspiratórias que bem entender. Se, amanhã, decidir pinçar mais meia dúzia de conjecturas, lá vai o país ficar a reboque de seus recalques (na melhor das hipóteses) anti-imperialistas…
E a coisa não vai parar por aí. Dilma vai faturar um pouco mais. Na Assembleia Geral da ONU, fara um discurso contra a espionagem e coisa e tal. Enquanto isso, Snowden continuará na Rússia, protegido por Putin, transformado, a esta altura, numa espécie de guardião dos direitos individuais e da soberania dos países… É patético!
Mas isso é só o que eu acho. Convém aguardar agora a opinião de Caetano Veloso. Em matéria de pensamento estratégico, a última palavra tem de estar com um cantor de MPB. Sempre há a possibilidade de Veloso encontrar a verdade ao cruzar as ideias de Joaquim Nabuco com as de Pablo Capilé, tendo como instrumento de intervenção a ética e a estética dos black blocs…
E segue o show da Poderosa:
“Solta o som, que é pra me ver dançando
Até você vai ficar babando
Para o baile pra me ver dançando
Chama atenção à toa
Perde a linha, fica louca”
Escrito Por Reinaldo Azevedo

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