Como medo de vaias, Dilma não vai discursar na abertura da copa

Presidente defendeu legado do torneio e criticou pessimistas (Foto: Reprodução)
* Do Blog da Folha 

O protocolo indica que os chefes de Estado abram oficialmente o jogo inicial das Copas do Mundo da Fifa com um discurso. Mas a tradição foi quebrada pela presidente Dilma Rousseff (PT), que, oscilando nas pesquisas de intenção de voto e de aprovação de sua imagem, preferiu dar o seu recado através de um pronunciamento em rede nacional, na noite de ontem (10).

Ela defendeu o legado que a competição deixará, fez comparações entre os investimentos aportados para o torneio e os empreendidos nas áreas de saúde e educação nos últimos três anos. Saiu em defesa do seu governo. Saiu em defesa de si própria.
A petista evitou, assim, o provável efeito negativo que a replicação das vaias recebidas na abertura da Copa das Confederações, há um ano, poderia ter às vésperas da campanha eleitoral. Dilma e qualquer outro brasileiro mais atento sabem que a Copa ainda não empolgou a população. O torneio será realizado no Brasil, mas o País conviveu com uma série de questionamentos sobre os custos dos arenas e pela demora em entregar (sem contar as que não ficaram prontas) as obras de mobilidade urbana prometidas.

A presidente da República acabou abordando em sua fala justamente todos esses pontos polêmicos. Apresentou números que podem impressionar quem não estava acompanhando o processo com mais atenção. Tentou convencer os brasileiros de que as arenas não serão elefantes brancos, que os aeroportos atenderão uma demanda necessária no futuro e dividiu com os Estados o peso dos investimentos para o Mundial.

A imagem de que a Copa já é um desastre foi veementemente combatida por Dilma, que aproveitou para alfinetar os críticos que atestavam que “tudo ia dar errado”.A presidente fez questão, repetidamente, de chamar de pessimistas aqueles que “torciam contra”. Uma politização desnecessária, que seria, com certeza, condenada por quem estivesse a ouvindo em um estádio.

Mostrando que espera por protestos, Dilma fez questão ainda de “legitimar” toda e qualquer manifestação contrária à Copa, mas desde que ocorressem sem “exageros”.  A presidente sabe que não é um simples pronunciamento explicativo que vai desarmar o espírito dos descontentes com o bolo de problemas do Brasil. Os efeitos da jogada? Vamos ver nas próximas pesquisas.

Confira, abaixo, o pronunciamento:


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