Cristiano Ronaldo e o ressentimento burro

Cristiano Ronaldo nesta segunda, no jogo contra a Alemanha: onda de ressentimento
Cristiano Ronaldo nesta segunda, no jogo contra a Alemanha: onda de ressentimento

*Por Reinaldo Azevedo 
Sei que vou escrever algo um tantinho polêmico, mas sabem como é… Não vim a este mundo para concordar, hehe. Acho um tantinho asqueroso, com raras exceções, o tom de quase tudo o que se escreveu sobre o craque Cristiano Ronaldo depois da derrota por quatro a zero de Portugal para a Alemanha. Nem o chocolate que a Espanha, a primeira Seleção do ranking da Fifa, levou da Holanda rendeu tanto ressentimento.
Eu não vejo graça nenhuma na queda, ainda que temporária, de um grande. Sempre que isso acontece, o mundo, de algum modo, fica pior e milita em favor da mediocridade. Não que a Alemanha jogue mal, é evidente. Ao contrário: é uma das favoritas ao título, o que Portugal nunca foi — e a derrota era mais do que esperada, convenham.
Mais aí houve um concurso impressionante de erros individuais, e Cristiano, sozinho, não poderia mesmo ter feito grande coisa. Mas foi o que bastou para que começasse a gritaria ressentida, recalcada, invejosa mesmo: “E aí? Viu só? Ele não é de nada! É um individualista mesmo…” Bem, se fosse, poderia ter resolvido tudo sozinho. Mas não! Ele precisa do coletivo, é evidente.
Sou fã de Cristiano Ronaldo, e pouco me interesse se ele passa gel no cabelo, tira a sobrancelha, depila a perna, pega a mulherada, é metrossexual… Não me ocupo dessa bobajada. Não o quero para genro. Gosto de seu futebol, que tem um quê, assim, de épico, diferente daquela prosa curta de Messi — brilhante, sim, no gênero, especialmente quando a câmera foca a coisa bem de pertinho. Cristiano Ronaldo está para Camões como Messi para Cortázar, entendem?
“Ah, mas Cristiano não sabe ser humilde…” E daí? Por que deveria sê-lo? O que incomoda no rapaz? O fato de se saber talentoso, de viver como quem sabe disso e de ter se transformado numa celebridade? O Real Madrid tem demonstrado que ele é bastante bom no seu ofício, não é mesmo?
Eu não sou cronista esportivo. Na Jovem Pan, acabei conhecendo pessoas excelentes dedicadas à área. Assim como na cobertura política, no entanto, nem sempre é esse um setor exatamente iluminado do jornalismo brasileiro. “Ah, mas se esperava mais dele…” O que exatamente? O rapaz é jogador, não milagreiro.
Meu ponto é o seguinte: como quem gosta de futebol, eu fiquei chateado com o desempenho bisonho e atrapalhado da Seleção Portuguesa, que não permitiu a Cristiano Ronaldo exercitar o melhor do seu talento — ou alguém vai negar que ele é brilhante no que faz?
“Ah, mas deveria ser menos amostrado…” Ah, bom! Isso não tem nada a ver com futebol. Isso só é rancor, ressentimento e preconceito. E que fique claro: não estou aqui a criticar os que não gostam de seu estilo. Isso é do jogo. Estou é repudiando essa conversa mole de que, se mais humilde fosse, teria colhido melhor resultado.

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