sexta-feira, dezembro 26, 2014

12 escândalos sexuais que marcaram a política mundial

Por Raquel Sodré
A política e os direitos humanos deram um pequeno passo na última segunda-feira, 15 de dezembro. O Ministério Público Federal apresentou uma denúncia contra o deputado federal Jair Bolsonaro (PP-RJ) por incitação ao estupro. O que deu origem à denúncia foi declaração controversa – e possivelmente criminosa – do político em resposta à também deputada Maria do Rosário (PT-RS). No Plenário, Bolsonaro disse: “eu falei que não ia estuprar você porque você não merece”.
Revoltante em muitos sentidos, esse caso envolvendo Bolsonaro não inaugurou os casos polêmicos envolvendo sexo ou violência na política. O Congresso brasileiro e os governos de muitos outros países já viveram dias quentes (trocadilho mode: on). Veja os 12 casos que deram mais o que falar:

12. O político que cobiçou a mulher alheia
Os Estados Unidos registram escândalos sexuais desde o primeiro ano de sua vida democrática. No ano seguinte à independência do país, o então secretário do Tesouro Alexander Hamilton foi pego no pulo tendo um caso extraconjugal com uma moça chamada Maria Reynolds. O marido dela – o comissário reformado James Reynolds – descobriu tudo e chantageou Hamilton, e isso o deixou numa situação bem embaraçosa. Mas como esses casos costumam rolar por baixo dos panos, a confissão só veio muito tempo depois, e chocou muito sua família e a sociedade. A história manchou a carreira do então secretário do Tesouro – que, segundo os livros, já não era lá essas coisas.

11. Um passarinho me contou
Embattled Mayoral Candidate Anthony Weiner Campaigns In Staten Island
Ainda nos Estados Unidos, em 2011, o democrata Anthony Weiner renunciou ao cargo depois de ter sido flagrado mandando cantadas para uma seguidora de sua conta no Twitter. Apesar de todas as evidências, Weiner primeiro negou (!!) ter enviado as mensagens, mas depois admitiu e se retirou do Congresso. Depois de ter procurado terapia e de ter restabelecido seu casamento, ele se candidatou a prefeito de Nova York, mas perdeu (dizem as más línguas que, com o codinome Carlos Danger, ele continuou atacando no Twitter).

10. O ministro boto
O Congresso brasileiro também já teve seus dias de fofocas. Em 1990, os então ministros Zélia Cardoso de Mello e Bernardo Cabral tiraram do armário o affair que estavam tendo. Dançando um bolerão no aniversário da ministra, eles assumiram o caso que havia começado nos corredores dos gabinetes. O rolo abalou o governo do presidente da época, Fernando Collor de Mello, seu primo. Em 2012, aparentemente arrependida, Zélia Cardoso de Mello deu uma entrevista em que revelou que o caso só começou por pressão de Bernardo Cabral, que era casado e mais poderoso que ela. Rola um boato de que o ex-ministro amazonense era chamado de “boto” por aí, como na lenda do moço sedutor que atrai jovens donzelas.

9. Um é pouco, dois é demais
Profumo Arrives
Um filme de James Bond não teria uma trama tão boa quanto a do caso do ex-ministro inglês John Profumo com a prostituta Christine Keeler. Em plena Guerra Fria, Profumo tinha um papel estratégico como representante da terra da rainha na luta contra o comunismo. Mas Christine tinha um outro amante (#relacionamentoaberto): um espião russo. Profumo negou o caso com Christine em uma reunião parlamentar, mas é claro que a fofoca come solta e o romance foi descoberto. O político foi forçado a renunciar e, nos anos seguintes ao escândalo, (ficou arrasado e) escolheu fazer um trabalho voluntário limpando banheiros (#lovehurts).

8. Pernas curtas
Mentir dá trabalho – e, em alguns casos, força o mentiroso a colocar um pezinho na ilegalidade. Para manter o caso extraconjugal com a jornalista Mônica Veloso, o senador Renan Calheiros fazia alguns de seus pagamentos pessoais (inclusive a pensão da filha com Mônica) por meio de um lobista da construtora Mendes Júnior. Mesmo com essa acusação – e nós sabemos bem por quais métodos – Renan se manteve no cargo. Mônica posou para a Playboy, escreveu um livro sobre a história e agora está bem quietinha em Belo Horizonte com as duas filhas e o novo marido.

7. O sedutor do futuro
Gov. Brown Unveils Offical Gubernatorial Portrait Of Former Governor Schwarzenegger
Depois de se aposentar como tira no jardim da infância, Arnold Schwarzenegger se elegeu governador da Califórnia – até aí, tudo certo. Mas aí, em 2011, a ex-mulher do Conan de Arnold descobriu que ele havia dado uma escapada com a empregada da mansão – e tido um filho com ela. Onde há fumaça, há fogo: em 2003, enquanto ainda fazia sua campanha eleitoral, ele foi acusado de assediar sexualmente mais de 12 mulheres. Como nada foi provado, a bola seguiu e ele não foi punido por isso.

6. As mulheres do padre
O escândalo envolvendo o ex-presidente paraguaio e ex-bispo católico (!!) Fernando Lugo nos faz acreditar que a expressão “mulher do padre” tem um sentido totalmente diferente por lá. O político-religioso, já cinquentão, seduziu a adolescente Viviane Carrillo (tudo errado). No intervalo de dez dias depois da explosão do escândalo, mais três fiéis colocaram a boca no trombone para revelar que tinham filhos do então presidente.

5. Festa no apê
World Leaders Attend G8 Summit 2011 in Deauville
Esse parece até comédia pastelão, mas, como envolveu o ex-presidente italiano Silvio Berlusconi, não podemos dizer que foi exatamente uma surpresa. Durante um interrogatório de uma investigação sobre uma rede de prostituição no país, a imigrante marroquina Karima El Mahroug entregou que as festinhas na casa de Berlusconi sempre acabavam em (que vergonha de ter que escrever isto) “bunga bunga”. Era esse o simpático nome que o político dava para o trenzinho de prostitutas nuas seguidas dos convidados da festa em seu fim de noite. Como desgraça pouca é bobagem, as investigações ainda descobriram que Karima frequentava a mansão de Berlusconi enquanto ainda era menor de idade.

4. Na ponta do pé
O ex-senador estadunidense Larry Craig, de Idaho, um conservador homofóbico, foi pego com um pé pra fora da linha. Em junho de 2007, ele foi pego dando pinta em um banheiro masculino do aeroporto St. Paul, de Minneapolis. O senador estava batendo o pé – código dos gays dos EUA quando querem fazer sexo com alguém. Ele foi condenado por “conduta lasciva”, mas negou veementemente que é gay. Em vez disso, ele alegou que estava tentando pegar um pedaço de papel higiênico no toalete (sapateando??). Em dezembro do mesmo ano, 8 homens deram depoimento a um jornal de Idaho dizendo que Larry Craig tentou fazer sexo com todos eles. Aliás, até conseguiu, com um ou outro. Os rapazes deram detalhes bem gráficos do que fizeram com o ex-senador.

3. De joelhos
Monica Lewinsky meets with President Clinton
Não há pessoa na casa dos 30 anos ou mais que não se lembre do escândalo do ex-presidente Bill Clinton com a então estagiária da Casa Branca Monica Lewinski. Escândalos sexuais de políticos nos Estados Unidos, como já vimos, acontecem desde que o país é país. Mas o de Clinton marcou pelo número – e pela qualidade – de detalhes que as investigações sobre o caso revelaram. Nos depoimentos dele e no dela, havia relatos de cenas que, certamente, deveriam estar em algum filme pornô. Clinton negava tudo, mas um exame de DNA em uma amostra de sêmen seco em um vestido azul que não foi mandado para a lavanderia (irc) deixaram o então presidente com cara de cachorro que virou a tigela diante do mundo todo.

2. “Hoje eu tô solteira e ninguém vai me segurar”
Eu tinha dez anos de idade, mas ainda lembro o escândalo que foi quando Lílian Ramos, acompanhante do ex-presidente Itamar Franco, apareceu sem calcinha no camarote no desfile de Carnaval do Rio de Janeiro em 1994. E o pobre do Itamar levou a fama sem deitar na cama: apesar de ter dito que gostaria de encontrar a moça, coisa que nunca aconteceu, ele ainda estampou todos os jornais e revistas da época babando por ela.

1. O pecado mora ao lado
John F. Kennedy
Para encerrar, um caso de puro glamour que envolveu ninguém menos que o homem mais poderoso do mundo e a atriz mais popular do universo: John Kennedy e Marilyn Monroe. Nos bastidores da Casa Branca, todos sabiam que eles tinham um caso. Mas isso era mantido sob sete chaves, pois no auge da Guerra Fria o presidente dos Estados Unidos – e, logo, o líder máximo de todo o lado capitalista do mundo – não podia parecer um mulherengo qualquer. Assim, o affair só foi revelado mesmo anos depois. Segundo o biógrafo de Marilyn, ela era completamente apaixonada pelo homem, e o término da relação dos dois foi o estopim para a depressão que culminou em seu suicídio, em 1962.