11 de abril de 2016

Líder em pesquisa para 2018, Marina diz que PT e PMDB são 'siameses'

A ex-senadora Marina Silva (Rede) afirmou que a pesquisa Datafolha que a coloca na liderança da corrida eleitoral para presidente em 2018 é "apenas o registro de um momento", e que o mais importante é buscar uma saída para a crise. Para ela, a chapa vencedora do último pleito formada por Dilma Rousseff-Michel Temer perdeu a legitimidade e deve ser cassada.

"Eu não fico ligada nas pesquisas. A gente está vivendo uma das piores crises de nosso país e eu acho que o mais importante é ficar atento ao que a população está dizendo em relação àquilo que não quer, que é essa inflação alta, corrupção, juros altos, endividamento das famílias, falta de perspectiva, de esperança", disse, em Chicago (EUA), onde participa da BrazUSC, maior conferência de estudantes universitários brasileiros no exterior.

De acordo com a nova pesquisa Datafolha, o ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva e Marina estão empatados em três dos quatro cenários eleitorais pesquisados. Na última eleição presidencial, a ex-senadora ficou em terceiro lugar no primeiro turno, com 21% dos votos.
Defensora do impeachment tanto de Dilma como de Temer, Marina acredita que não faz sentido punir a presidente e premiar o vice. `"A delação premiada recente da Andrade Gutierrez disse que o dinheiro do petrolão, na parte que compete a esta delação, era dividido igualmente entre o PT e o PMDB. Portanto, ambos são irmãos siameses, são lados da mesma moeda. Ambos há 12 anos ganharam juntos com esses recursos ilícitos em suas campanhas. Se ficar devidamente comprovado, devem ser cassados pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral)", afirmou, negando implicitamente que isso seria um golpe.

"Não são sete ministros passando por cima do voto popular, se esse voto foi levado de forma ilegítima a sua realização na urna pelo uso do dinheiro da corrupção. Então é devolver para 200 milhões a possibilidade de corrigir o erro que foi induzido a cometer", afirmou.

Sobre as divisões em seu partido sobre o voto no processo de impeachment, Marina disse que os deputados da Rede terão liberdade para votar no Plenário da Câmara. E voltou à carga contra a possibilidade de Michel Temer assumir a Presidência caso Dilma seja alvo do impeachment. "Não se pode imaginar que os dois partidos que praticaram tudo o que está aí revelado juntos, um possa ser punido e o outro possa ser ungido o bastião da redenção. 


O Brasil precisa ser coerente. Não se pode ter dois pesos e duas medidas", afirmou, defendendo mais uma vez o julgamento no TSE. "O processo no TSE é mais efetivo, porque ele não é um julgamento político, mas sobretudo com base nos autos."
Para ela, está claro que a chapa vencedora das eleições presidenciais de 2014 perdeu o direito de governar.
"Pelas provas que estão sendo agregadas pela Lava Jato, o dinheiro da corrupção fraudou as eleições. Não existe vice-presidente que se elege por si mesmo. O vice-presidente se elege porque foi eleita a presidente. E se a presidente foi eleita com o uso do dinheiro da corrupção, a chapa está igualmente ilegítima e, portanto, deve ser cassada", afirmou.

Folha de Pernambuco 

Postagem anterior
Próxima