sexta-feira, maio 12, 2017

Delatora diz que pagou R$ 200 mil à 'Dilma Bolada' a pedido da petista

Delatora da Operação Lava Jato, Mônica Moura disse que pagou R$ 200 mil com dinheiro de caixa 2 ao publicitário Jefferson Monteiro, criador da personagem "Dilma Bolada", a pedido da ex-presidente Dilma Rousseff.

Moura afirmou que durante a campanha de 2014 recebeu a orientação para que pagasse Monteiro para ele reativar a página no Facebook e fazer postagens favoráveis ao governo federal.

De acordo com Moura, mais de 1,4 milhão de pessoas seguiam a "Dilma Bolada", o que era uma vitrine na campanha. Porém, no dia 23 de julho, no meio da campanha à reeleição, Monteiro retirou a página do ar, relatou. Isso deixou Dilma "furiosa", segundo a colaboradora.
Jefferson Monteiro interpretava a personagem 'Dilma Bolada'Foto: Reprodução/ internet


Ela contou ter sido procurada pelo então ministro Edinho Silva (PT), atual prefeito de Araraquara (SP).

Segundo Moura, Edinho lhe disse que esse tema "teria que ser imediatamente resolvido pela Polis" -a agência que ela tem como o marido, João Santana-, "pois eles não tinham outro meio de sanar o problema com a urgência necessária".

A publicitária afirmou que ligou para Monteiro e combinou que um funcionário "o procuraria para resolver o assunto". O dinheiro foi entregue em espécie no dia 29 de julho, narrou a colaboradora.

"Na ocasião, Mônica comentou com Edinho que estava fazendo isso como um ato de boa vontade pois o contrato da Polis não previa este tipo de responsabilidade", informa documento que consta da colaboração premiada de Moura.

A delação foi homologada no dia 4 de abril pelo ministro Edson Fachin, relator da Lava Jato no STF (Supremo Tribunal Federal), e se tornou pública nesta quinta (11).

Moura também contou que arcou com os custos de camareira e cabeleireira de Dilma mesmo depois do fim da campanha presidencial de 2010.

Ela afirmou ter combinado com Anderson Dornelles, assessor de Dilma, pagar R$ 4 mil por mês durante um ano, em espécie, "para esta cabeleireira particular como forma de favor".

Segundo ela, outro hábito pessoal de Dilma foi financiado pelos marqueteiros: o trabalho do cabeleireiro Celso Kamura.

Depois da campanha de 2010, quando já tinha sido eleita, Dilma queria manter os serviços para ocasiões importantes, informou a marqueteira. No entanto, o Palácio do Planalto "não poderia arcar com valor tão alto para o cabeleireiro, não tinha rubrica e nem tempo para superar a burocracia", disse.

Assim, Dornelles procurou Moura e pediu que ela fizesse mais esse favor, afirmou a delatora.

"Mônica Moura então pagou o cabeleireiro diversas vezes, durante os anos de 2010 a 2014, de várias formas: na maioria das vezes em dinheiro entregue em espécie no escritório do cabeleireiro em SP, por um funcionário, utilizando os valores recebidos por fora; em outras vezes reembolsava a assessora da presidente, Marly, através de depósitos bancários", informa o documento.

Os custos estimados com Kamura são de R$ 50 mil; cada diária do cabeleireiro, incluindo deslocamento, cabelo e maquiagem no Palácio da Alvorada custava em torno de R$1.500, conforme consta no material do Supremo.

"Esses favores eram prestados por se tratar de uma cortesia a uma cliente importante para João Santana e Mônica Moura. Dilma Rousseff, além de presidente, já havia feito com eles a campanha de 2010 e existia a possibilidade de virem a fazer a campanha de 2014", afirmou Mônica Moura.

FOLHA DE PERNAMBUCO