quinta-feira, maio 25, 2017

"DIRETAS JÁ"? O(s) perigo(s) do carro na frente dos bois

Escrito por John Mateus (foto) /// Tenho defendido que a pauta das "Diretas já", impulsionada no calor do imediatismo da atual conjuntura, não pode ser a principal bandeira dos setores progressistas, insatisfeitos e revolucionários da sociedade. Apresento dois motivos:
1) Temos um sistema político-eleitoral capturado pela matilha de gangster rentistas através de financiamento privado de campanha, controle da mídia dominante e desmembramentos no judiciário e legislativo. Exemplo disso é o interesse não só da Globo nas "Diretas Já", mas, da Folha de São Paulo que inclusive pressupõe novas eleições "pactuadas": http://www1.folha.uol.com.br/…/1885116-diretas-ja-sim-mas-t…
2) Nosso subdesenvolvido e história política de baixo teor democrático em que as transições se deram pactuadas pela cúpula "de cima" sem participação popular, nos legou um déficit profundo de consciência política entre as massas. Diferentemente de países próximos, tais como: Uruguai, Venezuela, México, dentre outros, que tiveram processos de reforma política pautados e dirigidos por setores da classe trabalhadora. Não por acaso, nossa tradição política mais "popular" tem como afeto histórico-central a recorrência e o amparo à figuras de cunho político populistas ou autoritárias envolta por atributos messiânicos de promessa de salvação dos principais problemas sociais. O "aventureiro", o "sociólogo", o "analfabeto", "coração valente", o "mito", não importa, mas, é aquele(a) que vai resolver. Tirando o protagonismo próprio da classe trabalhadora e confinando num "messias". Curiosamente (ou não), num país de forte cultura e ética cristã, inclusive na política.
Considerando os dois argumentos, corre-se o risco de haver uma captura do tema da "Diretas já" pelos setores interessados na manutenção do "condomínio político brasileiro" - nas palavras de Marcos Nobre, através de uma nova tomada de fôlego do "consórcio PTUCANO" (https://www.youtube.com/watch?v=Cvi_Jxijcw8&t=2592s). Esse processo fecharia qualquer possibilidade de radicalismo político aberto pela brecha da crise pautado nas ruas pela classe trabalhadora.
Neste caso, venho defendo que sob a estratégia do radicalismo político visando a ruptura a principal pauta é a AUDITORIA CIDADÃ DA DÍVIDA PÚBLICA para desmontar o sistema (gangsterizado) financeiro que captura o sistema político, estrangula a capacidade de financiamento do Estado e reproduz uma sociabilidade neo-colonial, atrasada culturalmente e democraticamente aleijada.
Apenas para ilustrar: Em 2015, até 31/dez, a dívida consumiu R$ 962 bilhões = 42% do gasto federal. Há estocados 3 TRILHÕES, 936 BILHÕES, 680 MILHÕES, 800 MIL, 962 REAIS E 35 CENTAVOS.
Segue abaixo o site para consulta dos números.
http://www.auditoriacidada.org.br/#