Idoso morre em despejo de túnel em Recife

Os moradores da comunidade do Pocotó, que fica na laje do túnel Augusto Lucena, em Boa Viagem, Zona Sul do Recife, fizeram um protesto na manhã desta quinta (14) contra a desocupação do local onde moram várias famílias. Já foram entregues algumas ordens de despejo aos moradores e, em meio à confusão, um idoso de 68 anos acabou morrendo. Segundo o Serviço de Atendimento Médico de Urgência (Samu), os indícios indicam que o homem, que era cadeirante, teve um mal súbito.

Uma comissão de moradores será recebida pelo secretário executivo de Governo, Henrique Leite, na prefeitura do Recife, ainda na tarde desta quinta, em uma reunião fechada. Segundo a advogada do Centro Dom Helder Câmara de Estudos e Ação Social (CENDEHC), Cecília Gomes, a Prefeitura do Recife entrou com uma ação de interdição e demolição das casas alegando, entre outras coisas, que pode causar danos ao túnel. Ainda segundo Cecília, a ação trata de 11 famílias, mas uma varredura feita pelo CENDEHC identificou 40.



Foto: Arthur Mota/ Folha de Pernambuco
O Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE) já esclareceu, por nota enviada à Folha, que “o prazo de três dias para a desocupação da área só tem início após a juntada do último mandado aos autos pelo oficial de Justiça, o que ainda não ocorreu”, não nesta quinta (14).

Em uma área ao lado do túnel estava funcionando uma sementeira, que foi desocupada também nesta manhã. O dono da sementeira, Severino josé de barros, 62 anos, disse que ocupa o espaço há oito anos. “A prefeitura nunca mexeu comigo. Quando avisar que iam desocupar o Pocotó, vieram me perguntar se esse lugar era meu e que disseram que era um espaço grande. Disse: ‘vou trazer um povo pra morar aqui, vai ser quebrado tudo aqui’”, contou. Severino disse que é da sementeira que tira seu sustento e emprega outras quatro pessoas. “Estou aqui com esse papel e vou ficar num lugar ali na Barão (a avenida Barão de Souza Leão)”, disse.

Moradora da comunidade do Pocotó, Eliane dos Santos Silva disse que a comunidade foi procurada algumas vezes para cadastramento. “Os barracos eram de madeira e a gente fez de tijolo. O povo assinou, mas a melhoria era ficar desabrigado, sem direito a nada. Quando voltaram, foi com a liminar com a ordem de despejo para as famílias. A gente vai ficar na rua?”, questionou. Eliane disse ainda que os protestos continuarão até que o problema seja resolvido. Os moradores não querem receber auxílio moradia porque o valor, R$ 200, é muito baixo, e reivindicam casa. “Se não pode morar no Pocotó, a gente vai morar na prefeitura”.



Folha de Pernambuco 

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