10 de outubro de 2017

Mulheres encontram na costura oportunidade de mudança de vida, em colônia penal do Recife

Num lugar inesperado, quando se sentiam invisíveis, 60 mulheres tiveram a chance de recomeçar suas vidas e agarraram a oportunidade com força. Elas aguardam sentença na Colônia Penal Feminina do Recife, junto com outras 600 mulheres, num espaço construído para 200. Poder deixar as celas lotadas para trabalhar em duas confecções que se instalaram no presídio ainda é um privilégio de poucas.

Nenhuma delas sabia costurar. Elas aprenderam a profissão na unidade prisional e, para elas, o tempo que passam nas máquinas de costura é como uma terapia, que faz bem pra cabeça e tem uma vantagem que não tem preço: trabalhando, elas ficam cada vez mais perto da liberdade.

Quem vê o desempenho da Claudiane Silva na máquina de costura nem imagina que ela é novata na profissão. Começou a costurar há pouco mais de um ano e é com o trabalho realizado na Colônia Penal que ela ajuda a família.

“Eu tenho três filhos. 

A vida que a gente levava lá fora é um pouco diferente e aqui é uma coisa certa. Aqui a gente tem a oportunidade de sair e conseguir uma coisa melhor lá fora. Pretendo seguir como costureira, já acho que sou profissional”, disse.

Pra Juliana Gonçalves, a oportunidade de ter uma ocupação faz muita diferença. “Faz muita diferença para mim. É outra coisa, é outra vida, é algo diferente não só para mim, mas para todas que estão ao meu redor”, explica.

Para cada três dias de trabalho, as costureiras têm um dia a menos de pena para cumprir. São oito horas de expediente por dia, livres da ociosidade que faz o tempo se arrastar. Elas ganham 75% do salário mínimo, cerca de 727 reais. Mas 25% ficam retidos pra quando elas deixarem o presídio. No expediente tem intervalo para os exercícios de alongamento e para massagem.

Para a encarregada geral da confecção, Rafaela Maria, as costureiras sabem retribuir a oportunidade. “O rendimento é bom. A gente também tem uma fábrica na rua e o rendimento é bem igual. As metas delas são iguais e o trabalho é bem tranquilo”, afirma.

Faltam vagas para tantas mulheres que querem trabalhar. Há espaço e vontade sobrando. Elas esperam a chance de mostrar que merecem uma segunda chance na vida.

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onte: G1

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